segunda-feira, 22 de abril de 2019

Expedição Sítios Históricos

Sítios Históricos no Parque Nacional de Brasília
               
                      
                     Nos dias 02 e 09 de Abril, ocorreu as expedições para conhecer a história e verificar os vestígios das antigas ocupações da região onde está inserido hoje o Parque Nacional de Brasília (PNB). Essas expedições tem por objetivo nivelar o conhecimento das equipes que estão trabalhando juntas no Centro de Educação Ambiental e vivenciar as experiências em campo da área que faz parte da história do Distrito Federal e do Brasil.
         Equipe da Expedição da Missão Cruls moderna. Da direita para a esquerda: Bigode, Wilson, Sgt Katilene, Eric, Sd Maciel, Ten Hellen, Enrique, Anderson, Wagner e Sd Evelize.

                  A primeira expedição foi no dia 02 de abril na área onde ocorreu o Acampamento da Missão Cruls. Participaram dessa primeira excursão o Programa de Educação Ambiental Lobo Guará, o ICMBio e a Secretaria de Educação. O chefe da expedição foi Wilson Carlos Jardim Vieira Júnior, cuja dissertação de mestrado, apresentado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB, discorreu sobre os vestígios das antigas ocupações do PNB. Ao seu lado, cujo conhecimento do parque, de suas trilhas e histórias é um patrimônio vivo, o senhor Antônio dos Santos Oliveira, conhecido popularmente como Bigode.

     Demarcação da área cujos vestígios foram encontrados do Acampamento Cruls
   
                   A Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil, instituída pelo presidente Marechal Floriano Peixoto em 1892, era chefiada pelo astrônomo e engenheiro belga Luiz Cruls. Ele foi responsável por estudar e demarcar a área de 14.400 quilômetros quadrados que seria a nova capital do Brasil.
"A equipe de Cruls era composta por pesquisadores, geólogos, geógrafos, botânicos, naturalistas, engenheiros e médicos, entre outros, e realizou estudos científicos até então inéditos na região, mapeando aspectos climáticos e topográficos, além de estudar a fauna, a flora, os cursos de rios e modo de vida dos habitantes."  Fonte:http://www.senado.gov.br/noticias/especiais/brasilia50anos/not02.asp

                  Professor Wilson demarcando área.        Fruta: Guapeva 
           
                         A Expedição percorreu a área nas adjacências do Córrego Acampamento, cujo nome foi em homenagem ao acampamento da Missão Cruls e depois um trecho da antiga ponte da Estrada Real da Bahia, onde há amostras da ponte de aroeira. A riqueza desse pedaço da história do Brasil é surpreendente e faz refletir sobre a importância de se preservar essa memória. 


    Antiga ponte sobre o Córrego Acampamento


      Margens do Córrego Bananal


                      No dia 09 de abril, a aventura foi para o interior do PNB, denominada Expedição Santa Maria em homenagem a antiga fazenda Santa Maria. O local de encontro foi o Centro de Educação Ambiental, onde as equipes se reuniram para conhecerem o roteiro traçado para o dia, sob o comando do professor Wilson.

     Foto de Enrique Mieza
                     
                 O caminho a ser percorrido era de difícil acesso, necessitando de carros 4x4 para transpor os obstáculos. Em diversos lugares, a trilha estava totalmente alagada e uma das camionetas ainda atolou. O trajeto nos trazia a reflexão das dificuldades das pessoas que vieram interiorizar o Brasil. Imagina caminhar com mulas, cavalos e carros de boi no período chuvoso no Planalto Central?

 

                               O primeiro ponto foi conhecer os Valos, que eram tipo trincheiras no chão em forma de v, com profundidade de até 1,70m utilizados como cercas, para evitar que o gado cruzasse as fazendas. Os valos também ligavam as cabeceiras dos cursos de água.

      Valos

                             Em uma das estradas do parque, há marcas dos carros de bois que passaram durante anos por ali. Uma das histórias contadas pelo Wilson foi que, em 1939, essa estrada foi inaugurada para carros ligando a cidade de Corumbá à Planaltina e que, durante o trajeto, que durou dias, as pessoas que participaram dessa inauguração, faziam festas em comemoração, acampando em suas margens.
                             A região é de uma rara beleza, onde a planta canela de ema se destaca juntamente com as Quaresmeiras.


      Fotos: Enrique Mieza. Vestígios das rodas de carro de boi

                       A chuva mudou o cenário mas não o entusiasmo pela expedição. Havia registros de um antigo forno na beira da estrada e vestígios de uma casa com seu jardim. 
                  

 
       Forno                                                                                             

                  História do interior do Brasil para conhecer
Pedro José de Alcantara se casou com Carolina Jozepha Leopoldina em 1841, formando um interessante "casal real no Sertão de Goiás, visto serem os mesmos nomes do casal imperial do Brasil". Tiveram nove filhos. Para os padrões do século XIX, era comum as mulheres casarem entre 12 e 15 anos. Em 1961, Pedro José de Alcantara fica viúvo e, posteriormente, se casa com Francisca Ezequiel, tendo com ela 10 filhos. Em  19 de março de 1889,  Francisca Ezequiel falece.  (Fonte: Wilson Carlos Jardim Vieira Júnior. Dissertação de Mestrado apresentado no Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília. Brasília, 2010.)


     Vista da Represa de Santa Maria

                      No local onde se localizava a antiga Fazenda Santa Maria, ainda encontra-se vestígios da casa, como as colunas de aroeira. É possível perceber onde era a cozinha e a entrada da sala. Outras áreas estavam encobertas pelas represa.



                Devido a chuva forte, não pudemos parar em um dos cemitérios. Ele também estava encoberto pelo mato. Seguimos em direção ao antigo Sítio do Lucas, onde havia valos, lixeira e o cruzeiro que delimitava o cemitério. O cruzeiro foi incendiado por um invasor do parque em 2008 mas o grupo da fiscalização do ICMBio conseguiu chegar a tempo de salvar parte desse objeto histórico.


    Parte do antigo cruzeiro queimado. Ao fundo o cemitério                  Sítio do Lucas                 

Sítio do Lucas. Resquícios da antiga construção explicada pelo professor Wilson

                O roteiro continuou e seguimos rumo ao Sítio do Matoso, local onde, até a pouco tempo, havia uma casa que servia de base para a equipe de fiscalização do parque. Os sinais era de uma construção mais nova.

       Sítio do Matoso
               
Gratidão a todos que fizeram esse evento acontecer, em especial ao professor Wilson que nos brindou com seu conhecimento e disposição. 
             A parceria entre a PMDF, através do Programa de Educação Ambiental Lobo Guará, o Núcleo de Educação Ambiental do PNB (ICMBio) e a Secretaria de Educação é um multiplicador de uma nova mentalidade ambiental. O meio ambiente agradece.

     Equipe final da Expedição Fazenda Santa Maria: Enrique (selfie), Valdivino (ICMBio), Sgt Katilene, Wilson, ST                     Leandro, Eric, Delvinei, Wagner e Sgt Marcos

          



                                                     EXPEDIÇÃO SANTA MARIA







        Foto: Enrique Mieza                                                                                                   Foto: Enrique Mieza     
 
       Foto: Enrique Mieza                                 Foto: Enrique Mieza                                   Foto: Enrique Mieza     


                                                EXPEDIÇÃO MISSÃO CRULS









Texto escrito pela Sgt Katilene